Dino, o mascote d'O Muro

domingo, 13 de junho de 2010

ESPAÇO SÓ MEU!


Mal atingiu a maioridade, meteu um propósito na cabeça: o de morar sozinho e conquistar a própria independência.
Prestou então vários concursos e, finalmente, passou nos exames da Polícia – feito que o levou a se transferir para grande São Paulo, onde cursaria a Escola de Treinamento Militar.
Ao contrário dos pais, a mudança o alegrou. Em breve poderia alugar um pequeno apartamento, com o qual se fixaria de vez na metrópole. Teria assim uma vida independente. Um espaço somente seu.
Contudo, enquanto durasse o curso, era obrigado a compartilhar um alojamento coletivo, apertado.
A formatura chegou. Depois, a farda, a arma, a escala de serviço. Em seu primeiro dia, a tragédia. Num confronto com traficantes, meteram-lhe uma bala na cabeça.
Devolvido aos pais, sepultaram-no junto aos entes queridos no jazigo da família.


[gORj] _____________________In: Antologia AGUIA 2009. Breves ironias.

Um comentário:

Angela disse...

Reconheci este conto. Embora trágico, creio que o espírito do moço ficou realizado. Quer independência maior?