Dino, o mascote d'O Muro

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Minificção do Brasil - Márcio Almeida

Minificção do Brasil – em defesa dos frascos & comprimidos, de Márcio Almeida, tem 313 páginas e foi lançado no final de novembro pela Editora Clube de Autores, de São Paulo. É uma das raríssimas publicações no país exclusivamente dedicada à análise do gênero através da obra de mais de 30 autores, com o objetivo de reconhecer e dar visibilidade à inventiva, ao talento e ao prazer de uma leitura rápida, mas vertical, contribuindo com seriedade e competência para a constituição de uma referência que envolve 45 anos de produção de mininarrativa, com metodologia baseada nos melhores autores sobre o gênero do mundo.
Entre os autores analisados estão Elias José e os escritores pioneiros dos “Cadernos 20”, de Guaxupé – Francisca Vilas Boas, Marco Antonio S. de Oliveira e Sebastião Resende; Adrino Aragão, Uilcon Pereira, Pedro Maciel, Jaime Prado Gouvêa, Duílio Gomes, Carlos Herculano Lopes, Adriana Versiani, Adalgisa Botelho de Mendonça, Marcelo Spalding, Marcelino Freire, PJ Ribeiro, Marcelo Freitas, Oskar Kellner Neto, Fernando Bonassi, Silvana Guimarães, Lia Beltrão, Nina Rizzi, Romina Conti, Tatiana Alves, Valéria Tarelho, Márcia Maia, Mariza Lourenço, Cida Pedrosa, Virna Teixeira, Gertrude Patrícia Fahne. O livro inclui o ensaio lítero-fotográfico intitulado “Gregorovius & Lucana”, de Adriana Versiani e Dioli, capa e diagramação de Oskar Kellner Neto.
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Márcio Almeida, Oliveira, MG, 1947, é professor universitário, mestre em Literatura, jornalista, autor de 41 publicações, inclusive o livro de minicontos Estranhos muito íntimos, bilíngüe, (Editora Multifoco, RJ, 2010) e várias no exterior; detentor de dezenas de prêmios literários em nível nacional, crítico de raridades há décadas, com efetiva produção em revistas eletrônicas como Cronópios, Germina, Caos e Letras, Tanto, Iniciação Científica, além do Suplemento Literário do Minas Gerais, Dezfaces, Pensar, Gazeta de Minas, Agora (Divinópolis) e outros. Dedica-se há dois anos à produção do livro “História Contemporânea de Oliveira”, com apoio da Eletrobrás e uma equipe de 10 profissionais da área, com lançamento previsto para o dia 19 de setembro de 2011.
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Como ter o livro
O livro não será vendido em livrarias ou bancas. Os interessados deverão fazer pedido pelo endereço virtual.

Contato com o autor.

OUTRAS GORJETAS


1. NANOCONTO DE SEXTA-FEIRA
Na ilha deserta, Robson recluso é.
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2. STONEHENGE
Um grupo de jovens turistas.
Foram lá fumar umas pedras...
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3. CARO DENTISTA
Do consultório, saiu com a carteira banguela.
Doía-lhe, agora, o bolso.
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4. DIÁLOGO SOB UM VIADUTO
– Que papelão, hein, filha?!
– Desculpa, mãe. Foi o único que encontrei no lixo.
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5. DEDO NA GOELA
Tomou veneno. Arrependeu-se e quis pô-lo para fora.
Tarde demais. Só vomitou a própria vida.
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6. A REMISSÃO DOS PECADOS SEGUNDO TORQUEMADA
Entregue à Igreja, no terceiro dia subiu ao céu. Volátil fumaça.
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7. FANTASIAS
Seguia o trio elétrico quando topou com uma fada.
“Qual a sua fantasia?”
Realizaram-na num motel.
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8. O ALVO
Cercado de muros, sentia-se protegido. Jamais o acertariam.
Enganava-se. Do alto de uma nuvem, o Cupido o mantinha na mira.
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9. UM SÁBADO DE ALELUIA POSSÍVEL
Carregando o Judas, a molecada para diante da “biqueira”.
Gritam: “Queremos PEDRA! Queremos PEDRA!”.
E o traficante manda bala.
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10. UM ASSENTO CAIU
“Hitler é um louco”, proclamou o papa. E ordenou: “Repudiem o nazismo!”.
Estrondo. Os bispos conclamaram de pé: “Amem!”.
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11. PUTA IDEIA
Voltas e mais voltas ao redor do quarteirão da mente à caça de alguma ideia disponível. Nenhuma quis pegar carona no meu pensamento.
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12. DESTERRO
Da janela do avião via a cidade onde crescera. Pousou a vista nos pés: a sola suja de terra dava-lhe a impressão de ter sido arrancado pela raiz.
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13. A MORTE NADA AO LADO
No bote, o náufrago mira o céu: nuvens, gaivotas, o azul. Teme olhar para o lado e rever a enorme barbatana que há horas o acompanha.
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14. ATIVISTA
Abriram a barriga do tubarão branco. No convés, tripas, plástico... e o que era aquilo? Uma carteira de couro. Dentro, a carteirinha do Greenpeace.
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15. CARNAVAL NO TWITTER
Na sexta, cadastrou-se com o perfil @blocodosfoliões. Na segunda, contava com 64 seguidores. Na terça,105. Na quarta: 4, 2... Nenhum.

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gORj

IDÍLIO NOTURNO


Caída no charco, a estrelinha choramingava:
– Sinto-me tão só.
O vaga-lume piscou-lhe uma resposta de amor.
Gosto de luz na língua do sapo.
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gORj

REPORTAGEM ECOLÓGICA


Comunidade ribeirinha. O repórter aborda uma dona-de-casa:
– A senhora tem colaborado com a limpeza deste rio?
– Tenho, sim.
Mentira deslavada. O frasco jogado no rio não tinha uma gota de detergente.
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gORj

RELAÇÕES POR UM FIO


– Pai, vem brincar comigo.
– Hoje não dá, filho. Outro dia.
E os dias prometidos nunca aconteciam.
Passaram-se anos. Os papéis se inverteram.
– Vem me visitar, filho.
– Outro dia, pai. Hoje não dá.
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gORj

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

HIPÓCRITA


Em casa, marido fiel; no quarto da amante, um devasso. Em público, funcionário honesto; às escondidas, um corrupto. Para sociedade, um homem direito; para si mesmo, o rei da malandragem.
A todos se mostrava afeito à verdade; a ninguém confessava suas mentiras.
Mentia principalmente para o filho.
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Livro aberto. O menino estuda, enquanto o pai lê o jornal em sua poltrona. De repente, o filho dispara a pergunta:
– Pai, o que é hipocrisia?
O homem fecha o jornal. A resposta sai pronta:
– Hipocrisia, meu filho, é quando a pessoa finge ser algo que não é.
O menino continua:
– Conhece alguém assim, pai?
– Ô se conheço! Tem muita gente hipócrita por aí.
E pondera:
– Nem todos são como o seu pai... Verdadeiro.
O garoto coça a cabeça. A curiosidade insatisfeita:
– Pai, dá para saber quando uma pessoa é hipócrita?
– Dá, sim. Mas não é fácil. Eu mesmo demorei muito para aprender.
– Então me ensina, pai. Quero saber quem é hipócrita.
– No momento certo, filho. Ainda é cedo para você aprender essas coisas. Volte a estudar. E fique tranquilo. Quando você crescer, eu estarei aqui, pronto para lhe ensinar tudo o que aprendi.

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gORj

DEMASIADO



Nunca lera nenhum livro de filosofia.
E foi assim, sem nenhuma preparação intelectual, que mergulhou de cabeça na obra do grande filósofo alemão, autor de livros polêmicos como O Anticristo, Para além do bem e do mal, Assim falava Zaratustra, entre outros.
Não tardaram as complicações.
A falta de aquecimento filosófico, agravada pelo esforço repetitivo com o ato de pensar, acabou lesionando-lhe o cérebro. Contraiu uma entendinietzsche. Enlouqueceu.
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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

O REPICAR DOS NOVOS TEMPOS


Substituíram o carrilhão da Matriz por sofisticado sistema de alto-falantes, pelos quais se ouvia, todos os dias às dezoito horas, a gravação fonográfica do antiquíssimo badalar dos sinos.
– A que ponto chegamos?, dizia uma devota à sua companheira de reza. Até a igreja se rendeu às facilidades dos novos tempos.
Às facilidades e, fatalmente, à sua vulnerabilidade.
Pois num domingo de sol, alguns moleques entraram na igreja e deram um jeito de trocar o cd “sineiro” por outro surrupiado ao camelô.
Toda a comunidade ficou escandalizada quando, às seis da tarde, reboaram por sobre a praça aquelas batidas fortes que nada tinham a ver com o nobre reboar do bronze.
Durante um bom tempo ouviu-se da torre da igreja as rimas indecentes e as batidas de funk vomitadas impunemente pelos modernos alto-falantes, porta-vozes dos novos tempos.
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gORj

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

REVISTA KYRIAL - PUC | CAMPINAS

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Publicação anual da Faculdade de Letras
PUC- Campinas, SP.
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Texto selecionado: Autores frustrados [gORj].

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

MÃE SOLTEIRA


Pôs a filha para fora de casa.
– Grávida? Aqui não!
A justificativa:
– Sempre avisei que nesta casa não teria lugar para outra mãe solteira.
A adolescente sumiu por uns dias. Pouco depois, a mãe a recebeu de volta, futuro e pulsos cortados.
Na barriga da filha, a neta embrionária, ambas veladas ao centro da sala.
Comentavam o suicídio parentes e vizinhos, quando a mãe da adolescente surgiu do quarto com um bebê no colo.
– Minha netinha.
Trazia um sorriso apalermado, os olhos boiando em lágrimas.
– Minha netinha – repetia, enquanto embalava nos braços a boneca que jamais dera à filha.

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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

ARBEIT MACHT FREI


“O trabalho liberta”, lia-se à entrada de Auschwitz.
– Não pare! – gritou o soldado a um dos prisioneiros que em fila cruzavam a inscrição sobre o portão de ferro.
O rapaz não escutou. O nazista aproximou-se e lhe deu um empurrão.
– Vamos, seu palerma. Prossiga!
O judeu olhou para a suástica. Por vaga semelhança, lembrou-se da cruz, símbolo maior dos cristãos. A essa lembrança, ocorreram-lhe as palavras do profeta Jesus: “A verdade liberta”.
A verdade. O que era a verdade?, perguntara Pilatos.
Para eles, condenados ao campo de concentração, a verdade era uma só: nada os libertariam de Auschwitz.
Nada, exceto a morte.
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CANÁRIO QUINTANA


Flertava com a passarinha - ambos em galhos diferentes. Percebeu, porém, os olhos dela desviarem-se para o jardim da Academia, onde surgiram alguns homens vestidos de fardão preto com ornamentos dourados.
Tomado de ciúmes, o passarinho despeitado bateu asas para longe dali. “Cambada de passarão!”, resmungava ao vento. “Tinham de atravancar o meu caminho!”
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VIAGENS


Quando criança queria ser ASTRONAUTA.
Chegando à adolescência, conheceu uma companhia de teatro, por meio da qual sonhava se consagrar ASTRO de cinema.
Abandonou o palco. Quisera BRILHAR, mas só lhe davam papeis apagados.
Na música haveria de ter mais êxito. Tantos alcançavam um sucesso METEÓRICO, por que não ele?
Por muitos anos investiu no sonho de se transformar em ESTRELA do rock.
Infelizmente, a carreira de pop STAR não DECOLOU.
Cansado de viver no mundo da LUA, resolveu firmar os pés no chão e tirar sua vida do BURACO NEGRO em que se metera.
Fase NEBULOSA. Encarou cada trabalho, cada RABO-DE-FOGUETE.
Ao fim das contas, estabilizou-se em um emprego decente.
Nada de EXORBITANTE. Hoje é motorista da viação COMETA.
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gORj

IMPUNE




A lei da favela impunha-se com dureza: ladrão que rouba a comunidade leva tiro na mão. Ao reincidente, punição maior. A bala cuspida na testa.
Mas toda vez que o tráfico trocava balas com a polícia, os moradores da comunidade sentiam-se roubados em bens muito mais valiosos: a liberdade de ir e vir, a paz e, não raro, a própria vida.
Esses roubos ninguém punia.

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gORj

SELO 3X4: CAPA REVISTA VEREDAS

Edição de novembro:
autores do selo 3x4, da editora Multifoco,
na capa da Revista Veredas.

EM ÓTIMA COMPANHIA

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