Dino, o mascote d'O Muro

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Tesselário - selo 3x4

Do alvor de tesselas multicoloridas ao breu que berra catedrais
por Denison Mendes*

____Tece o mosaicontista ora tesselas imaculadas e transparentes ora o inexpugnável breu. Com maestria tesselária, subverte a natureza das coisas, palavras, espaço e tempo. Chegam ao paroxismo homem-quase, tamanha a capacidade artesã de cinzelar o instante e eternizar imagens.

____O tesselário ama a pedra, o vidro, o mármore, o granito... porque não os vê como tal, ele os enxerga como sujeitos a serem libertos da substância primitiva. Assim o faz Geraldo Lima, no livro Tesselário. O verbo é sua matéria-prima, e o resultado são mosaicos de rara beleza e transcendência.

____Logo de cara, a primeira tessela avisa cuidado. Mulher de organdi prima pela concisão e imagens a cirandear no pensamento. Olhos abertos. Eutanásia suspira em cinco linhas o que se tenta explicar em tratados. Já em Tesselário, que dá nome à obra, sentimos de perto o próprio Geraldo Lima, como se estivéssemos ao seu lado observando a angústia de sua criação.

____Terminada a primeira parte, respire e tome fôlego. Se tiver medo do escuro, acenda a luz. Aviso: não vá pensar que as letrinhas brancas no meio da escuridão são vestais. É breu puro.

____Após a leitura de Tesselário, cerro fileira junto aos leitores de Geraldo Lima. Autor singular e polissêmico, escritor que celebra fractais como se abraçasse o cosmo, a nós todos, os esquecidos e os que virão, infinitamente.


*Denison Mendes é autor do livro Bonsais Atômicos, selo 3x4 (Multifoco/RJ).

A VENDA


Eu vendo o pôr-do-sol...

Ninguém se interessa.

A pressa venda os olhos.

gORj

quinta-feira, 14 de julho de 2011

O ÚLTIMO RELÓGIO



Não aguentava mais a ditadura dos relógios. Mais que na hora de se livrar deles. Sem perder um minuto, retirou-lhes as pilhas e arrebentou suas cordas. Contou os segundos até se acalmar. Quedou-se, por fim, no silêncio da casa, atento apenas às batidas do próprio coração.

gORj

segunda-feira, 11 de julho de 2011

FLORES E LÁGRIMAS

Sempre foi violento. Por qualquer motivo me espancava. Agora, veja só, até parece outro homem. Toda semana me traz flores: deposita-as no meu túmulo e as rega com seu remorso.

gORj

CIGARROS

Fumava duas carteiras de cigarros por dia. Morreu beirando os 95 anos. Ataque cardíaco.
O filho, que fumava apenas um maço diário, faleceu aos 46. Enfisema pulmonar.
Aos 23 anos foi a vez do neto. Que morreu num acidente de carro, enquanto fumava seu primeiro cigarro. De maconha.

gORj

sábado, 2 de julho de 2011