Dino, o mascote d'O Muro

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

EM CIMA

No velório do amigo, que era tão bom de copo a ponto de morrer com um na mão, o fanfarrão da turma dizia aos comparsas de boteco que haveria de ter uma morte bem melhor que a do colega bebum. “Hei de morrer em cima de uma mulher!”.
Estava certo.
Véspera de réveillon. Ele se encontrava num apartamento à beira-mar onde umas quarenta pessoas, a maioria amigos e conhecidos seus, esperavam a virada de ano com muita bebida, droga e badalação.
Em meio à bagunça, conhecera uma mulher cujas curvas decotadas prometiam fortes emoções.
Tendo o calor como pretexto, conduziu-a até a sacada defronte à praia. Dispensando preliminares, ali mesmo se beijaram. Ao ouvido dela, o convite: “E se fôssemos para um lugar mais reservado?”.
Iam de mãos dadas, quando surgiu um grandalhão impedindo a passagem. Ela empalideceu. Era o ex-namorado, que acabara de chegar à sua procura.
A confusão estava armada. Enquanto os dois trocavam socos e pontapés, ela aproveitou para fugir.
Ele, porém, não teve a mesma sorte. O adversário agarrara-o e, insensível a seus apelos, arrastou-o de volta à sacada.
Não houve quem o acudisse. De lá foi jogado como um saco de lixo.
Uma passante chegou até a amortecer a queda. De nada lhe valeu. Morreram os dois.

.
{gORj}

Um comentário:

Angela disse...

Pobre mulher-almofada, extra absoluta na trama e acabou como coadjuvante!
posso dar uma sugestão? tenta cortar um pouco.