Dino, o mascote d'O Muro

domingo, 16 de agosto de 2009

LÍNGUA AFIADA

Conhecera-o naquela noite. Na verdade era a primeira vez que o avistara ali na boate. Olharam-se, rolou um clima. Ele aproximou-se. Chamou-a para dançar. Depois beberam juntos, conversaram. E, entrosados, tornaram à pista de dança, agarrando-se, falando-se ao pé do ouvido.
- Que tal se fossemos à minha casa?

O convite partiu dela. Não que fosse leviana, mas o álcool a tornava temerária.

E pervertida. No táxi, parecia esquecer a presença do motorista, de tanto tesão que estava. Por pouco não transaram ali mesmo, no banco traseiro. Ainda bem que chegaram logo.

Na sala, afoitos, atracaram-se. E aos beijos e amassos, ela o conduziu para o quarto, onde se jogaram na cama, enroscando-se, apalpando-se às pressas.
Usando o cinto, ele prendou-lhe os pulsos e amarrou-a na cabeceira. Ela, excitada, deixou-se amordaçar, não fosse acordar a vizinhança. "Esta transa ficará marcada", ele sussurrou-lhe ao ouvido. "Hmm!", ela fechou os olhos, já antegozando as delícias da excitante promessa.

Mas, ao tornar a abri-los, o tesão espatifou-se ante o horror da cena à sua frente. Ele havia se despido e exibia um corpo repleto de cicatrizes.

De repente, surgiu em sua mão o terrível objeto.

Malicioso, o estilete pôs para fora a sua língua.
Sádica língua.


[wgorj] In: Sensualidade, antologia CBJE

2 comentários:

Angela disse...

mais um sado masoquista! sensualidade de menos!

Cynthia Lopes disse...

Caramba,essa assustou!
Viu meu poema na Antologia? O que achou? bjs