Dino, o mascote d'O Muro

domingo, 6 de dezembro de 2009

EDIFÍCIO CRETA

Subiu até o último andar. Entregou a encomenda e, motivado pela gorjeta, optou por descer com as próprias pernas; sua alegria não caberia dentro do elevador.
Não demorou a se arrepender: os degraus pareciam não terminar nunca. A certa altura, já havia perdido a conta de quantos lanços deixara para trás. O cansaço pesava-lhe nas pernas. Sentou-se.
Do chão, olhou em volta. Logo estranhou. Até então não tinha dado pelo inusitado daquele patamar. Ali não havia portas nem janelas. Um frio percorreu-lhe a espinha. Pôs-se de pé. Abaixo, outros lanços de escada perdiam-se de vista.
Ao medo somava-se o arrependimento. Tivesse descido pelo elevador, decerto já estaria no térreo.
Mas, afinal, o que o impedia de voltar atrás?
Subindo, em vez da saída, encontrou o desespero. Para cima ou para baixo, escadas a perderem-se de vista. Paredes e mais paredes. Nenhuma porta.
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[wgorj]

Um comentário:

Angela disse...

Maravilhoso! os contos fantásticos são meus preferidos e este está especial! Parabéns Wilson!