Dino, o mascote d'O Muro

sábado, 26 de dezembro de 2009

ÀS MOSCAS

Esgotados pelas brigas, recorreram à separação. Ela foi para a casa dos pais e ele, sozinho, permaneceu no apartamento.
Dias depois, à hora do almoço, ele comprou na padaria o habitual frango assado de domingo.
Na sala, terminada a refeição solitária, restaram no prato os ossos e, pela primeira vez, as peles das quais não gostava. Olhou-as, entristecido; ela sempre comia as peles deixadas por ele. A essa lembrança, suspirou de saudade. Então, como que nascida desse suspiro, surgiu uma mosca que, sobrevoando o prato, pousou nos restos do frango.
Reflexo imediato, enxotou-a dali. Mas a mosca, teimosa, tornou a pousar, produzindo nele um novo suspiro. É que mais uma vez se lembrava dela: da companheira lambendo os dedos engordurados. Recordação que o fez sorrir. E sorrindo, viu-se de relance no espelho da sala.
Reflexo imediato, o sorriso se desfez. Tentou sorrir de novo. Mas a tristeza, teimosa, tornou a pousar.
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[wgorj]

5 comentários:

Angela disse...

bonito. embora triste.
Gosto destes contos mais elaborados.

Alejandro Ramírez Giraldo disse...

Gostoí muito também. É um conto belo e poético.

Parabéns, Wilson.

Teresa Cristina flordecaju disse...

Um conto excelente... prende a atenção e desperta a curiosidade. Beijo.

Cynthia Lopes disse...

Oi Wilson, fiquei feliz com a sua participação no meu blog, beleza!
Gostei muito do conto e do título e da concepção dos dois. Bjs

Pedra do Sertão disse...

Passeando pelos blogs da vida e aprendendo a ler os microcontos...coisas para um domingo de verão. abraço