
segunda-feira, 2 de maio de 2011
quarta-feira, 20 de abril de 2011
MESTRE MEDUSA
Premiado escultor, aplaudido em vários salões de arte. Suas esculturas humanas causavam assombro, tamanha precisão de detalhes. Por conta delas, recebera o apelido com o qual há anos assinava suas obras.Uma dúvida, porém, perseguia Mestre Medusa: teria ele condições de reproduzir com igual maestria um modelo não-humano?
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Jornal O Lince
edição mar/abril
domingo, 10 de abril de 2011
NEM MESMO OS PASSARINHOS TRISTES
Luciano Rodrigues Lima
Os mini-contos de Mayrant Gallo são micro-narrativas, como lembra Jean-François Lyotard sobre a pós-modernidade. E os seus minicontos trazem poeticidade, fundindo – e confundindo – os gêneros:
O PRÓLOGO
O motorista empurra o táxi até o fim da fila. Assim poupa gasolina. A mesma que perderá de todo, à noite, ao perder a vida. (Gallo, 2010, p. 85)
A forma, o ritmo e a economicidade do mini-conto lembra o haikai. Teremos chegado à nanonarrativa, à narrativa mínima? A escrita de Mayrant Gallo ainda traz um certo frescor como a dos poetas do movimento beat americano, ou o cosmopolitismo das narrativas experimentais como Paralelo 42, de John dos Passos, ou ainda a agilidade épico-dramática de Brás, Bexiga e Barra Funda, de Alcântara Machado. Mas os minicontos de Mayrant soam também como o comentário malicioso no bar, a maledicência nas mesas de escritórios, um boato. O autor suga a potência das histórias de rua.
NEM MESMO OS PASSARINHOS TRISTES: LITERATURA COMO SKETCH
Antes de falar sobre o livro, deixemos o livro falar:
MUSEU
Um grande roubo de jóias.
A polícia britânica, sem pistas.
O ladrão, misto de bon-vivant e gentilhombre,
Some
E reaparece meses depois,
Descendo de uma limusine
Para embarcar num certo Titanic.
O colar mais valioso do jogo
É hoje um despojo
Numa vitrine.
O mini-conto-poema suspende todo o peso da tradição narrativa, tirando-o das costas do leitor, como propunha Alain Robbe-Grillet (aquele da “escola do olhar”, isto é, aquela onde o autor narra o que olho está vendo, como uma câmara) e, ainda, ironiza os clichês das histórias de detetive. São várias metalinguagens somadas. O texto poderia ser lido, também, como um roteiro desossado, ou um sketch cômico, irônico, como os da companhia de teatro Monty Python. O leitor poderá experimentar, ainda, outras sensações com esse miniconto. Pode lê-lo em voz alta e ouvi-lo como um poema. No passado narrava-se em verso.
Mayrant Gallo adensa a linguagem, encurrala a forma, cospe nos clichês literários (mas não os descarta), mas não renega a poesia. Nem despreza a beleza. “Veranico”, um conto-poema de três linhas e, no entanto, com uma metáfora incendiada de inspiração. A idéia de atar o jogo lesto entre som e significado da lírica com o movimento e a ação da narrativa épica é que produz o impacto violento na imaginação do leitor. São trabalhos literários, os contos-poemas de Mayrant, em Nem mesmo os passarinhos tristes, de natureza semelhante às instalações, esculturas inacabadas, performances que vemos nas exposições de arte contemporânea. Funcionam como centelhas (ou senhas) para a criatividade do leitor, o qual é convocado para trabalhar na construção e acabamento do livro.
Nem mesmo os passarinhos tristes arrasta consigo diversos outros textos e ainda agrega mais alguns trazidos e encaixados pelo leitor. São ecos de João Gilberto Noll (“Alguma coisa urgentemente”), de Clarice, de Hemingway e seus homens incompletos em lugares para homens – os bares –, dos contos “barra-pesada” de Rubem Fonseca, dos cronópios de Júlio Cortazar, de autores que impregnam a literatura de nosso tempo, como Truman Copote, e das “graphic novels” (romances em quadrinhos) que aparecem com força em tempos de arte-multimídia.
Há algo de voyeur no olhar que vê o mundo, em Mayrant Gallo. São retinas que devoram a imagem, como as dos autores de pulp fiction ou dos cartoons, como Matt Groening, dos Simpsons. Mayrant busca saciar a sede do leitor por narrativas e o formato que ele prefere é o “caso”. O caso bem contado e o mal contado. Às vezes, o caso “mal contado”, lacônico, com palavras imprecisas, serve melhor ao autor e ao leitor, pois restam lacunas a serem preenchidas. Ele deixa as brechas para os leitores penetrarem e trazerem as histórias para suas vidas.
Mayrant Gallo também teoriza, metalingüísticamente, em seu quase-conto “O padeiro”. Ali, o autor ironiza o mito de que, em literatura, o mais difícil é começar, isto é, pegar um ponto de vista, um ponto de observação para narrar. Então, ele começa a narrar e abandona, para deixar o espaço livre à imaginação, que será sempre mais lépida do que as palavras.
Sente-se a presença de um certo gosto de classe média na escrita de Mayrant Gallo. É quase impossível para um autor escapar da prisão trancafiada por dentro que é a sua cultura. No entanto, Mayrant pratica também a crítica ao viver da classe média, mostrando a incerteza e a precariedade do mundo real, contra a idéia de perenidade e continuidade que norteia a mentalidade dessa classe social pretensiosa. É aí que se percebe a estatura do escritor, medida pela sua capacidade de criticar o seu meio e suas crenças aferradas, captar o absurdo e o paradoxo da existência humana.
Nicolau e Ricardo, seus heróis detetives, são homens indecisos, sem uma causa, talvez nem mesmo uma amizade sincera entre eles próprios. Um “par ímpar”, como diria Oswald (trocadilho que Oswald usou para o casal Oswald-Pagu). Vivem cada dia, sobrevivem. Parecem representar a era da fragmentação, do individualismo, da relativização.
Cabe à crítica, atualmente, descobrir e indicar autores, textos, sem adjetivá-los. A obra de Mayrant Gallo merece ser lida por captar o espírito da atualidade, algo que nem sempre somos capazes de realizar, ocupados que estamos em viver irrefletidamente a era do absurdo.
* LUCIANO RODRIGUES LIMA
Professor Adjunto da Universidade Federal da Bahia
Professor Titular da Universidade do Estado da Bahia
sábado, 12 de março de 2011
terça-feira, 8 de março de 2011
FRACTAIS - LANÇAMENTO SELO 3X4
Hoje tanto se fala e se publica minicontos de todos estilos e qualidades. Ao receber os Fractais do Sílvio Vasconcellos li com prazer e surpresa agradável por não encontrar preocupação do autor com padrões definidos e muito menos rígidos.
São mesmo Fractais, estruturas complexas que se repetem em várias escalas sem prisão a contagens de palavras ou limites de caracteres.
Os fragmentos escritos por Sílvio nos fazem refletir sobre as ironias da vida, os desencontros e as frustrações. Mas não se trata de um livro pesado, pois é com humor que desfila os fracassos amorosos; é poético, às vezes triste, e ainda brinca com as palavras como, por exemplo, no conto que sibila:
SAUDADES
São silenciosas suas sombras, sinuoso seu silêncio, singular seu sofrimento. Só, sua sina sucumbe saboreando sentimentos, sede sufocante, salgada, sobrepondo-se sorrateiramente sobre seu semblante. (pg. 83)
Ao lado da linguagem poética, o autor ainda encontra espaço para a contundente crítica social, em
DIFERENTES PERDAS
- Sr Editor, temos que escolher a foto da capa desta semana.
- A matéria é violência urbana e a infância. O que temos aí?
- Temos centenas de fotos de famílias que perderam filhos com balas perdidas.
- Alguma família branca?
- Sim, uma.
- E qual é sua dúvida? (pg. 90)
Após 100 páginas de minicontos em tonalidades variadas, Sílvio surpreende ao brindar seus leitores com histórias de maior porte, se bem que ainda breves e sintéticas.
NOITE, (pg. 103) resume o dilema entre sonho e realidade que permeia toda a obra. E os contos ENFIM ZULMIRA, (pg. 107) e SÚBITO (pg. 109) me pareceram textos extraordinários a encerrar e recomendar especialmente a leitura desta estrutura geométrica complexa.
Em 03-03-2011
Angela Schnoor é autora do livro O OLHO DA FECHADURA - selo 3x4, ed. Multifoco (2010).
quinta-feira, 3 de março de 2011
PARTIDA
O GALO

Voltou da feira de animais, trazendo de lá um brinde. Os pais deram pouca importância ao fato de a filha querer criar o pintinho, pois acreditavam que ele não fosse durar muito tempo. Estavam enganados. Graças aos cuidados da menina, o pintinho cresceu e transformou-se num vistoso galo, senhor absoluto do quintal. A mãe chegou a imaginá-lo na panela. Mas não levou adiante essa hipótese. A filha era muito apegada ao bicho.
De modo que o galináceo teve uma vida tranqüila, sem ameaças, durando mais do que deveria.
Morreu de velhice.
Ou de tristeza.
Naquela casa, todos comiam galinha, menos ele.
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gORj
AMOR...
A VÍBORA
Sonhou que era abraçado por uma cobra de cujas presas recebia o veneno mortal.No mesmo dia conheceu aquela com quem se casaria e, conforme idealizava, viveria feliz para sempre. “A mulher da minha vida”, diria mais tarde, às vésperas do altar.
Assim dizia, pois não dava importância a seus sonhos; jamais procurava interpretá-los. Não fosse assim, teria se poupado de um grande pesadelo.
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gORj
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
MICRONARRATIVAS SELECIONADAS
O blog coletivo O BULE publicou
uma seleção de micronarrativas
de autores contemporâneos.
Confira:
1) Apresentação;
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
INCONSCIENTE
Por muitos anos permaneceu em coma profundo. No dia em que despertou, dentre outras indagações quis saber onde estava a esposa. Disseram-lhe a verdade. Considerando-se viúva, arranjara outro homem e partira sem deixar endereço.E o filho?
Desse também ninguém sabia o paradeiro. Sabido era que o rapaz dissipara todo o patrimônio da família.
Consciente dessa realidade, o homem entregou-se ao abatimento. Agora só quer saber de fechar os olhos e dormir. Todavia, as poucas horas de sono não lhe são suficientes para matar a saudade dos anos em que dormia profundamente.
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gORj
SEMPRE JOVEM
O GRANDE GURU
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
ANTOLOGIA DO MAPA CULTURAL PAULISTA
CLIQUE P/ AMPLIARVencedores da fase regional - Literatura
(Região de abrangência: São José dos Campos)
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