Dino, o mascote d'O Muro

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

INFLÁVEL

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I
Só transava com prostitutas. Na milésima transa, algo espantoso aconteceu. De repente, sentiu o corpo esfriar, mas de tal maneira que sua parceira acreditou tê-lo matado de prazer. O homem não se mexia mais: boca e olhos abertos para o nada.
Acabara de sofrer uma transmutação. Sua pele mudara de textura. Parecia borracha.
No lugar de músculos, apenas ar.

II
Desespero. A prostituta sacode o boneco, como se tentasse ressuscitá-lo.
Unhas afiadas. O corpo inflado não resiste.
Dentro dele (ela sente na própria pele) havia mais do que ar.

III
O estouro atraiu os funcionários do motel.
No quarto, encolhida num canto, encontraram-na em estado de choque.
Das paredes e espelhos escorria um líquido viscoso, nojento.
O corpo da prostituta também era todo esperma.

* * *

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2 comentários:

Carlos disse...

Bacana, bem escrito, mas nojento, hein?

Angela disse...

Gostei mas achei confuso, talvez proposital. Quem era boneco, afinal? ele, ela? ou ambos?