Dino, o mascote d'O Muro

quarta-feira, 7 de julho de 2010

PEDIDO GENIAL


– Como foi que o senhor se transformou no homem mais poderoso do universo?
– Pura sorte. Tudo começou quando eu era piloto e sobrevoava o deserto. Não sei como aconteceu, mas o avião sofreu uma pane incontornável e me vi obrigado a pousá-lo sobre as dunas. Obtive uma aterrissagem desastrosa e por pouco não perdi a vida junto com a aeronave. No primeiro dia, sem saber ao certo o que devia fazer, aguardei próximo aos destroços, esperando por socorro. Esperei em vão. No segundo dia tomei a decisão de andar, e sai à procura de algum acampamento de beduínos, ou coisa que o valha. Minhas reservas de água estavam praticamente esgotadas e minhas esperanças seguiam o mesmo destino. Foi quando tropecei num objeto esquisito. Automaticamente agachei-me e o desenterrei da areia. Era uma lâmpada de metal. Uma lâmpada dourada. Estava suja e por instinto de limpeza dei-lhe uma boa esfregada na lã da jaqueta. E eis que de supetão me aparece um gênio mágico. Cheio de reverência, disse que eu tinha três pedidos...
– Daí o senhor pediu: “Me transforme no homem mais poderoso do universo”, não foi? – disparou o repórter.
– Negativo. Não fui tão precipitado assim. Antes de qualquer atitude, parei para refletir um pouco. Fiquei pensando, esfregando a mente como se ela fosse outra lâmpada. Esfreguei, esfreguei até que o cérebro expeliu uma ideia genial. Meu pedido consistia em que o Gênio encontrasse todas as lâmpadas mágicas que existissem, não importasse onde: se perdidas nos desertos, ou se guardadas nos túmulos atulhados de tesouros dos antigos reis; não importava. Depois, com calma, executei meu segundo pedido. Ordenei ao Gênio que libertasse os outros gênios em meu nome e usasse um dos três pedidos que cada um deles me reservava para que multiplicassem o número desses mesmos pedidos até uma soma infinita. Só então, caro repórter, gastei meu terceiro, precioso pedido. Transformei-me no homem mais poderoso do universo.
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[gORj]

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