Dino, o mascote d'O Muro

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

VERGONHA

Faltavam-lhe alguns dentes. Da frente, porém, aquele era o primeiro a cair. Natural, então, que sentisse vergonha e evitasse rir diante dos outros.
A vergonha duplicou com a queda do segundo dente frontal. Mordia risos, engolia sorrisos. Até que perdeu o terceiro dente.
Estava já se acostumando com a situação. A vergonha diminuía. Aos poucos vencia o receio de conversar com os amigos.
Quando, porém, contavam-lhe algo engraçado, ainda mantinha o pudor de levar a mão à boca para esconder o riso cada vez mais desfalcado.
Hoje está banguela de tudo. E ri naturalmente, sem vergonha nenhuma. A boca escancarada como se tivesse todos os dentes.
[w.G.] + 11 minimalistas [Site Lima Coelho]

Um comentário:

Angela disse...

A velhice e sua aceitação são uma grande benção! Você, tão jovem, como sabe disto?
achei lindo este conto!