Dino, o mascote d'O Muro

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

PROTEÇÃO*

Deixou a turma da faculdade no carro e entrou correndo em casa.
─ Mãe, já tô indo ─ disse ele, tentando parecer sóbrio.
─ Tenha cuidado, filho. Muita atenção quando for descer a Serra. Aquelas curvas são muito perigosas.
─ Não se preocupe, mãe. Vamos sem pressa.
Ela duvidou. Eles iriam ao litoral, festejar o Ano Novo.
De repente, a impaciência buzinou lá fora.
─ Estão me chamando, mãe. Preciso ir. Chegando lá, eu te ligo, tá bom? Tchau.
─ Vá com Deus, meu filho.
Antes de cruzar a porta, ele ainda brincou:
─ O carro tá lotado. Se Deus quiser vir com a gente, vai ter que se ajeitar no bagageiro.
Instantes depois, a mãe escutava o arranque do motor e o cantar dos pneus. Um aperto no peito. Foi para o quarto rezar.
Horas mais tarde, o telefone tocou. Ela segurou o fone com o terço (e o coração) na mão.
Do outro lado da linha, a voz estranha tentava transmitir-lhe a notícia do acidente. O carro do filho havia perdido a direção quando descia a serra. Uma curva muito perigosa, salientou o policial. Dada a velocidade, o veículo ultrapassou a proteção e capotou encosta abaixo, chegando ao fim completamente destroçado. Não houve sobreviventes.
Um detalhe, no entanto, chamava a atenção.
No bagageiro, os bombeiros encontraram duas garrafas de champanhe e cinco taças de fino cristal. Todas intactas.
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*uma história recontada.
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5 comentários:

Giovani Iemini disse...

hehehe, ao menos algo se salvou.

Angela disse...

Muito bom! Mas que deus foi este que se deixou limitar tanto assim? Não dizem que está em todos os lugares? Em todo caso, que sabemos nós?

Angela disse...

Fui ler os outros contos e achei todos ótimos! Acho que prefiro estes curtos não tão pequenos!

saulo boyna disse...

Apesar de achar teu trabalho bom, devo salientar que este último conto pecapor um pequeno detalhe: Falta de ineditismo.
Esta é uma história já conhecida, uma parábola repassada inclusive por e-mail na internet.
por isso não despertou em mim muito interesse e acabou sendo um pouco enfadonha e "luga comum".
No mais espero continuar lendo os bons trabalhos escritos por ti.
Um abraço!

Anônimo disse...

Saulo,

Não vou bancar o cretino e citar, como argumento, Shakespeare (Romeu e Julieta) ou Nabokov (Lolita). O fato é que o mote desta história não é mesmo original. A versão que ouvi (em um bar, da boca de um velho) era com ovos: outros personagens, cenário e situação. Não sabia que o mote fosse tão conhecido, tão difundido assim.

No mais, obrigado pela visita. Apareça sempre. Prometo me esmerar nos inéditos.

Abraços.
W.G.