Dino, o mascote d'O Muro

domingo, 23 de março de 2008

UM MILITAR DA RESERVA

Uiva em silêncio. Sua raiva concentrada. O militar da reserva foi tudo. Comandou, gritou, deblaterou. Pequeno deus. Hoje suas estrelas semelham lágrimas de metal. Na cabeça branca o quepe é um pássaro remoto.
Frustração maior: virou civil.
Acompanha com lágrimas nos olhos as paradas. Visita os quartéis nos dias de gala. Mantém sofridas amizades com oficiais impacientes. Seu bastão está quebrado. Somente parcos vizinhos compadecidos o interpelam pela patente, ou velhos amigos.
Vê que a força de que dispunha, o poder que ostentava, eram ficção e fantasia. Nem a distante esperança de uma guerra pouco provável o consola; ele bem sabe que a guerra mais feroz se desenvolve sob a calma aparente do dia a dia. E que para esta ele está agora irremediavelmente desarmado.
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Dimas Carvalho

Um comentário:

Angela disse...

Alguns minis, me parecem "transbordar". É esta a palavra e me parece o caso deste aqui. Boa idéia, bem formulada,e este algo de excessivo que transborda!

Obrigada generoso Wilson, por estar aí, sempre brindando seus amigos e leitores com as pérolas que encontra em seus mergulhos!