Dino, o mascote d'O Muro

sábado, 4 de setembro de 2010

ESCROTO


Ao vê-lo chegar da rua, o garoto interpelou:
– Papai, de onde eu vim?
E emendou à pergunta:
– Perguntei a vovó e ela disse que foi a cegonha. Já o vovô falou que foi uma sementinha que Deus jogou na mamãe.
– Tudo bobagem – rebateu o pai. – A verdade é uma só. Você veio é daqui, ó. Do meu saco.
Chocado com essa revelação, o filho correu para o quarto.
A mãe, que presenciara a cena, lançou um olhar de ódio ao marido e foi ao encontro do menino. “Não chore, meu bem”, disse ela, enquanto trancava a porta. “Seu pai acredita que você veio de . Mas ele está enganado. Muito enganado”. E, sentando-se ao lado do filho: “De onde exatamente você veio, a mamãe ainda não pode contar. Só garanto uma coisa: dali não foi. A verdade é que concebi... quero dizer, concebemos você num momento mágico, especial... Inesquecível”. O menino já não chorava. Ela continuou: “Um dia, quando você for mais crescidinho, hei de lhe contar tudo, fique tranquilo. Mas até lá, prometa uma coisa. Nada comente com o papai. Combinado?”.
O filho fez sim com a cabeça, e sorriu. Um sorriso mágico, especial. Inesquecível.

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3 comentários:

Angela disse...

Seja como for, é mesmo um momento mágico e especial!
Que os genes do guri sejam mais da mãe!

Anônimo disse...

Ou do verdadeiro pai.

Do "escroto" que acredita sê-lo, certamente que não são.

Abração.
W.G.

Angela disse...

É que simpatizei com a forma delicada da mãe lidar com o assunto. Do pai genético nada sabemos!