quinta-feira, 25 de novembro de 2010

DEMASIADO



Nunca lera nenhum livro de filosofia.
E foi assim, sem nenhuma preparação intelectual, que mergulhou de cabeça na obra do grande filósofo alemão, autor de livros polêmicos como O Anticristo, Para além do bem e do mal, Assim falava Zaratustra, entre outros.
Não tardaram as complicações.
A falta de aquecimento filosófico, agravada pelo esforço repetitivo com o ato de pensar, acabou lesionando-lhe o cérebro. Contraiu uma entendinietzsche. Enlouqueceu.
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gORj

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

O REPICAR DOS NOVOS TEMPOS


Substituíram o carrilhão da Matriz por sofisticado sistema de alto-falantes, pelos quais se ouvia, todos os dias às dezoito horas, a gravação fonográfica do antiquíssimo badalar dos sinos.
– A que ponto chegamos?, dizia uma devota à sua companheira de reza. Até a igreja se rendeu às facilidades dos novos tempos.
Às facilidades e, fatalmente, à sua vulnerabilidade.
Pois num domingo de sol, alguns moleques entraram na igreja e deram um jeito de trocar o cd “sineiro” por outro surrupiado ao camelô.
Toda a comunidade ficou escandalizada quando, às seis da tarde, reboaram por sobre a praça aquelas batidas fortes que nada tinham a ver com o nobre reboar do bronze.
Durante um bom tempo ouviu-se da torre da igreja as rimas indecentes e as batidas de funk vomitadas impunemente pelos modernos alto-falantes, porta-vozes dos novos tempos.
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gORj

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

REVISTA KYRIAL - PUC | CAMPINAS

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Publicação anual da Faculdade de Letras
PUC- Campinas, SP.
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Texto selecionado: Autores frustrados [gORj].

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

MÃE SOLTEIRA


Pôs a filha para fora de casa.
– Grávida? Aqui não!
A justificativa:
– Sempre avisei que nesta casa não teria lugar para outra mãe solteira.
A adolescente sumiu por uns dias. Pouco depois, a mãe a recebeu de volta, futuro e pulsos cortados.
Na barriga da filha, a neta embrionária, ambas veladas ao centro da sala.
Comentavam o suicídio parentes e vizinhos, quando a mãe da adolescente surgiu do quarto com um bebê no colo.
– Minha netinha.
Trazia um sorriso apalermado, os olhos boiando em lágrimas.
– Minha netinha – repetia, enquanto embalava nos braços a boneca que jamais dera à filha.

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gORj

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

ARBEIT MACHT FREI


“O trabalho liberta”, lia-se à entrada de Auschwitz.
– Não pare! – gritou o soldado a um dos prisioneiros que em fila cruzavam a inscrição sobre o portão de ferro.
O rapaz não escutou. O nazista aproximou-se e lhe deu um empurrão.
– Vamos, seu palerma. Prossiga!
O judeu olhou para a suástica. Por vaga semelhança, lembrou-se da cruz, símbolo maior dos cristãos. A essa lembrança, ocorreram-lhe as palavras do profeta Jesus: “A verdade liberta”.
A verdade. O que era a verdade?, perguntara Pilatos.
Para eles, condenados ao campo de concentração, a verdade era uma só: nada os libertariam de Auschwitz.
Nada, exceto a morte.
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gORj

CANÁRIO QUINTANA


Flertava com a passarinha - ambos em galhos diferentes. Percebeu, porém, os olhos dela desviarem-se para o jardim da Academia, onde surgiram alguns homens vestidos de fardão preto com ornamentos dourados.
Tomado de ciúmes, o passarinho despeitado bateu asas para longe dali. “Cambada de passarão!”, resmungava ao vento. “Tinham de atravancar o meu caminho!”
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gORj

VIAGENS


Quando criança queria ser ASTRONAUTA.
Chegando à adolescência, conheceu uma companhia de teatro, por meio da qual sonhava se consagrar ASTRO de cinema.
Abandonou o palco. Quisera BRILHAR, mas só lhe davam papeis apagados.
Na música haveria de ter mais êxito. Tantos alcançavam um sucesso METEÓRICO, por que não ele?
Por muitos anos investiu no sonho de se transformar em ESTRELA do rock.
Infelizmente, a carreira de pop STAR não DECOLOU.
Cansado de viver no mundo da LUA, resolveu firmar os pés no chão e tirar sua vida do BURACO NEGRO em que se metera.
Fase NEBULOSA. Encarou cada trabalho, cada RABO-DE-FOGUETE.
Ao fim das contas, estabilizou-se em um emprego decente.
Nada de EXORBITANTE. Hoje é motorista da viação COMETA.
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gORj

IMPUNE




A lei da favela impunha-se com dureza: ladrão que rouba a comunidade leva tiro na mão. Ao reincidente, punição maior. A bala cuspida na testa.
Mas toda vez que o tráfico trocava balas com a polícia, os moradores da comunidade sentiam-se roubados em bens muito mais valiosos: a liberdade de ir e vir, a paz e, não raro, a própria vida.
Esses roubos ninguém punia.

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gORj

SELO 3X4: CAPA REVISTA VEREDAS

Edição de novembro:
autores do selo 3x4, da editora Multifoco,
na capa da Revista Veredas.

EM ÓTIMA COMPANHIA

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quinta-feira, 14 de outubro de 2010

AQUELA DOR NO PEITO

o escritor Nilto Maciel
escreveu uma divertida crônica
em torno do meu livro Prometo ser breve.
Clique na capa
e se delicie com a prosa elegante
do autor de CARNAVALHA