sexta-feira, 3 de julho de 2009

VAMPIRISMO


A balada estava rendendo. Ficara já com quatro caras, incluindo aquele sujeito estranho; rapaz meio esquisito, todo vestido de preto (o maldito lhe dera um chupão doido no pescoço!).
Tantos beijos. Hora de recompor o batom.
No banheiro, não conseguiu se encontrar.
O espelho devolvia a imagem de uma pessoa vazia.
.
[wgorj]

sábado, 27 de junho de 2009

FRUSTRAÇÕES LITERÁRIAS II

imagem
MICROCONTISTA
Com seus pequeninos contos, quisera tornar-se um grande escritor.
Mas grande mesmo foi a sua desilusão. Pouco lido, pouco conhecido. Morreu frustrado.
Seu obituário no jornal lembrava um microconto.


BLOQUEIO
Diante da página em branco, desesperava-se o escritor. Faltavam-lhe inspiração, criatividade, palavras. “Isso nunca me aconteceu antes”.
Ao dizer essas palavras, de imediato lembrou-se do fiasco da noite passada e, alarmado, constatou que era a segunda vez que usava a mesma desculpa.


LANÇADO
Ninguém foi ao lançamento do seu primeiro livro. Tamanha frustração o levou a um gesto de loucura.
Do alto da passarela, lançou ao vento os mil exemplares publicados...
Num relampejo de consciência, ainda pode ver o último livro tombar próximo ao seu – também lançado! – corpo.
.

terça-feira, 23 de junho de 2009

MICROCONTOS REUNIDOS



E-book TAMANHO NÃO É .DOC
microcontos publicados no twitter
Erik Kurkowski Weber
Fábio Cunha P. Coelho
Henry Alfred Bugalho
Rafael T. Okada
W. Gorj
*[Opção 2.] > leitura dinâmica!
*
Download. > .pdf

ANTOLOGIAS DE MAIO/09

Tripla participação: 1, 2 e 3 [wgorj]

sexta-feira, 19 de junho de 2009

UM LIVRO POSSÍVEL

Leitura dinâmica [e-book - grátis]
Para comprar o livro impresso
ou baixá-lo em PDF.

FRUSTRAÇÕES LITERÁRIAS


MARGINAL
Sem grana para publicar seus livros, o escritor apelou para um recurso tão eficaz quanto delinqüente.
Até ser apanhado em flagrante, fez dos muros da cidade as suas melhores páginas.


LIVRO DE ESTRÉIA
Não se contentou em apenas escrevê-lo.
A capa, quem elaborou?
O autor e ninguém mais.
Quem fez a diagramação?
O autor e ninguém mais.
Revisão, prefácio, quem?
O autor e ninguém mais.
Quantos se interessaram pelo livro?
O quê? Só o autor?!
E ninguém mais.

wgorj+Simplicíssimo

CAI CAI BALÃO

A quadrilha estava formada. A professora escolhera os pares entre os alunos da classe, e ele (sortudo! diziam os colegas) ficara com a mais bonita, a mais inteligente, a mais graciosa, a mais... A mais tudo! Não era à toa que se chama Maís-a. Não era à toa também que Maísa era o grande amor de sua vida. Tão grande quanto comportava sua pequenina vida; em seus doze anos, por ela suspirava, rabiscava seu nome nas páginas do caderno, onde agora desenhava balões em forma de coração.
Na noite de São João, todo a caráter, ele mal se continha de ansiedade: logo ela surgiria por entre o arco de bambus à entrada da escola, desfilando seu vestidinho remendado sob bandeirinhas coloridas.
Sua ansiedade, porém, aos poucos foi murchando como um balão. Ela não veio. Disseram que estava doente. E a quadrilha começou sem o par, pois não havia outra (nem ele queria!) disposta a acompanhá-lo.
"Olha a cobra! É mentira!”
Bem que podia... Bem que podia ser mentira. Ela não estava doente. Estava chegando, pegando-o pelo braço, os dois rodopiando, rodopiando... Ela sorrindo, ele suspirando.
Mas não! Não era mentira. Ela não veio mesmo, e ele, sozinho, ia para casa, o coração se consumindo de tristeza e paixão.
Pelo rosto, lágrimas negras de carvão desfaziam-lhe a barba de mentira. Na noite estrelada, via-se no céu um balão, triste e solitário balão. Consumindo-se em chamas, caía devagar, bem devagar...

domingo, 31 de maio de 2009

Minicontos de Efeito Moral

Edição bimestral março_abril. Confira.
* * *
Grafias: MiniContos de Efeito Moral [wgorj]

REALIZAÇÃO PESSOAL
Nem completara 30 anos e já era um dos mais bem-sucedidos empresários do ramo de informática.
A que se devia tal êxito?
Atribuía-o à sua impetuosidade e determinação.
Ora, justamente por conta desses atributos, tomou uma decisão, no mínimo, incomum
[continue lendo]

sábado, 16 de maio de 2009

gorje-book

Revista Minguante

Mães | minicontos em série

2.
"Mamãe, eu vi um gatinho no pomar. Posso ir até lá brincar com ele?”
“Claro que pode, meu bem. Só não se afaste muito. Já está escurecendo...”
A filha saiu pulando de alegria.
Horas mais tarde, era o coração da mãe que pulava, mas de aflição. Por onde andaria a sua filha?
Ninguém nunca mais a viu.
O desaparecimento da menina coincidiu com o sumiço das pegadas da suçuarana que há dias rondava a fazenda.

[w.G.]+1. e 3. Mães [minicontos em série]

sexta-feira, 1 de maio de 2009

AU6NCIAS

6. O BOLO
Mesa animada. Amigos comemoram. Brindes, risos, alegria. Apenas o aniversariante parece não compartilhar do clima festivo.
Seus olhos sempre voltados para a entrada do bar.


[w.G.] - Minicontos em Série [leia as outras 5 Ausências]
img.: van gogh

Contos de Amor in Verso


NEGAÇA
Ela disse NÃO!
quando ele abriu
o primeiro botão.
Resoluto,
abriu o segundo.
Obteve, então,
um suspiro profundo,
seguido de outro “Não...”
Terceira casa aberta,
a transa tão certa
quanto o próximo botão.

[w.G.] - Minicontos em Série [leia + 2 contos de amor inverso]